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E se tivesse sido diferente?

 

 08/07/2018       Por: @Daviifreire     

                                                              

No dia 01 de julho de 2006, eu estava vendo a seleção brasileira de Parreira levar o fatídico gol de Thierry Henry, aos 12 minutos do segundo tempo, em um vacilo bobo do então melhor lateral esquerdo do mundo, Roberto Carlos, que parou pra ajeitar seu meião no momento do cruzamento de Zinedine Zidane.

 

Terminamos aquela partida derrotados por 1 x 0, e eliminados por conta de um detalhe. Fiquei desolado ao final daquela partida, triste por ver uma seleção com tamanho potencial, com jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Kaká, Cafu e Robinho, irem pra casa sem a taça.

 

Mas, e se o Roberto Carlos tivesse acompanhado o Henry na jogada?. Esse foi o principal sentimento que fiquei ao final daquela copa. Não foi decepção pelo futebol apresentado, ou pela falta de entrega de quem jogou. Foi o sentimento de “e se”.

 

Depois tivemos a Copa de 2010, onde o Brasil do técnico inexperiente Dunga chegou apresentando um péssimo futebol, e foi eliminado pela Holanda. Não me empolguei nessa copa. Aquela seleção não dava gosto, não me enchia os olhos. Saí com o sentimento de que merecemos ser eliminados. Não éramos a seleção que merecia levar a taça naquele ano.

 

Então veio a Copa de 2014, a Copa no Brasil. Euforia geral, o povo acreditando, e a única coisa que conseguia pensar era que a nossa seleção, assumida às pressas por Luiz Felipe Scolari, apresentava um futebol ainda mais medíocre em relação ao apresentado em 2010. Desorganizado, parecendo um bando em campo. Porém, mesmo com esse futebol, foi passando de fase, muito por conta do respeito que as seleções (principalmente Colômbia e Chile) tinham pela nossa camisa.

 

Me vi então cometendo talvez o maior pecado futebolístico para um brasileiro: torci contra a seleção naquela copa. Perdoem-me, mas eu simplesmente me recusava a ver a seleção brasileira, a minha seleção brasileira, a seleção que foi de Pelé, Romário, Zico e Ronaldo jogando daquela forma. Aquele time medíocre não podia se consagrar, levantar uma taça no Brasil. E de fato não levantou.

 

Pegamos a seleção mais forte da copa, eu pensei: “é agora que esse time fraco sai”. Comemorei o gol do Muller ao 11’, e o do Klose aos 23’. Mas, quando aos 24’ e 26’ Toni Kroos fez mais dois, eu percebi o tamanho da mediocridade que a nossa seleção tinha chegado. Como a pentacampeã podia ter tomado 7 gols em uma semifinal de copa do mundo?

 

Eu sai daquela copa triste, nem vi a disputa pelo terceiro lugar. Não podia ver mais aquele time jogar. Meus pensamentos ao final daquela copa eram de “o que fizeram com a minha seleção?”, “é o fim da melhor seleção do mundo?”.

 

Hoje, dia 06 de julho de 2018, o Brasil foi eliminado pela - boa geração - Belga por 2 x 1, com um (infeliz) gol contra de Fernandinho.

 

O sentimento que eu saio dessa copa é de “e se” outra vez.

E se o Fernandinho tivesse de olho aberto e cortado a bola certo? E se o Casemiro não estivesse suspenso? E se o time tivesse entrado um pouco mais fechado com o Felipe Luis e não o Marcelo?

 

Essa copa eu me vi torcendo novamente com gosto pela seleção. Eu vi o Brasil de novo ser considerado o melhor. Eu realmente acreditei que o titulo viria, e realmente podia ter vindo, perdemos por um detalhe novamente, igual em 2006, igual em 98, igual em 82. Nós caímos, mas nos fomos gigantes. Hoje, saímos dessa copa de cabeça erguida, voltamos a ser o Brasil, voltamos a ser a seleção que merece ser penta. Voltamos a ser o pais do futebol.